Estou mais uma vez diante de mim mesmo e desta história pessoal que persigo. Sou jornalista, e vim pelo esporte até agora, faz algum tempo - ou foi sempre? -, mas me valho também da Filosofia, que estudei e aprendi todos os dias. São prolongamentos de mim mesmo, nada altera o conteúdo do que, afinal, acaba sendo eu.
Foi uma cerimônia bonita no Teatro Bourbon Country, quando soube boa parte do que poderia me acontecer a partir desta semana. Estavam todos lá, os dirigentes da RBS, os funcionários que tiveram participação no Sala de Redação, que era o que se homenageava naquela noite. 40 anos no ar com o mesmo formato é uma marca nacional, só comparável à Voz do Brasil.
Foi difícil a experiência na medida em que seu desfecho foi gradativamente sendo montado. Por melhor que se diga, era um vazio, que foi separando pessoas, palco, poltronas, luminárias e cortinados. Um vazio existencial, como se a vida pudesse caber naquela cerimônia. Mas não como síntese, limitação, recorte, fenômeno específico, e, sim como abundância. Eram flancos e vazios, desabitados, silenciosos, sem cor, de cima abaixo.
Só fui ouvir alguma coisa mais tarde, depois da cerimônia, mas ainda sem entender o que, de fato, tinha acontecido. Aos poucos, vão se acumulando pequenos fatos, cada um com sua trajetória, dando voltas pela minha cabeça quase vazia. Eles vão compor a história desses dias.
Não tenho muito que fazer. Vou só ajustar a mira.