Ando desconfiado que as mulheres já sabem muito mais do que concedem que a gente saiba. Somos homens pretensiosos, sempre fomos, arrogantes, grosseiros, mal-educados, desconfiados, enfim, ridículos. Somos quase tudo, menos o que uma mulher esteja cada vez mais sendo, assim como se nada quisesse e tudo já soubesse.
É um desconforto, quase um mal-estar, pode provocar ânsia de vômito, tonturas, perna frouxa, desânimo. Difícil é o diagnóstico: saber-se com certeza de que todo esse estorvo se deve às novas relações com as mulheres.
São os mesmos seres que se movem com graça à nossa frente, ocupam os espaços do bar e da sala, atravessam a rua com o ímpeto de quem sempre soube que uma faixa de segurança é para ser cumprida passo a passo. E se praticamos uma infração trivial dessas como abrir a porta ou chamar o elevador, elas não consideram, estão sérias noutra relação com o mundo.
E na mesa de reuniões, tão comum na convivência de homens e mulheres, já desponta um novo centro de interesses, uma vitalidade nova na conversação. Blocos de anotações estão rabiscados cada vez mais, não contêm desenhos, apenas nomes e flechas. As reuniões estão ali dentro como garantia de que não serão outros os resultados da negociação.
O chope já foi mais fluente para os homens, com a palavra, os comandos e as principais iniciativas. Agora não são mais, os lugares já são iguais e bem repartidos.
Muita coisa está mudando, tenho certeza...