Apresentado por Ostermann como um dos mais importantes escritores gaúchos, o premiado João Gilberto Noll foi o entrevistado do primeiro Encontros com o Professor de 2011. João para os íntimos, Noll para a maioria. João Gilberto Noll, inteiro, denso e profundo para o público que acompanhou o retorno do Encontros com o Professor ao calendário cultural de Porto Alegre. O primeiro evento de 2011 deixou inebriados plateia e entrevistador diante das declarações de um escritor brilhante e de um homem apaixonado pela música.
Corajoso, Noll assumiu que muitos de seus personagens, refletem seus próprios sentimentos, sua angustias, seus pensamentos: "eles têm para mim um sentido muito vertical, muito forte. É onde eu trabalho as minhas obsessões, questões que não me abandonam, como a solidão". Ainda sobre os protagonistas de suas obras, falou: "eles têm um grande pecado que é o fato de serem contemplativos. Eles se estrepam porque são vagabundos, não oferecem uma grande produção para a sociedade".
Questionado por Ostermann sobre sua atitude diante da inoperância dos personagens, o autor respondeu: "O fato de eu apontar essa inoperância não é uma complacência, é uma crítica. A gente podia fazer mais, a gente faz muito pouco".
Aos 64 anos, Noll acredita estar vivendo um momento de maior sociabilidade. "Me considero um sujeito mais socializado de uns tempos pra cá. Tenho 64 anos e acho que é preciso estar atento. Eu quero ter tempo para sentir esse ressurgimento pessoal", confessou.
Agraciado cinco vezes com o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, o escritor contou que sua relação com a literatura e a música é de amor. "A literatura você cria porque precisa complementar o sentimento cotidiano de déficit. Sou um sujeito que tem formação musical, geralmente escrevo com música. Fui um garoto que cantava Ave Maria, de Schubert, em casamentos. Para mim, a literatura é um derivativo da música. É um tripé: cinema, literatura e música. Talvez a música seja a maior das artes".