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05/03/201
Yamandu Costa intimista |
Que Yamandu Costa é um dos maiores instrumentistas do Brasil, quase todo mundo já sabe e concorda. Mas que ele chama o violão de muleta da poesia, é fã de acordeão e vendeu livros para fazer churrasco, só quem esteve no primeiro Encontros com o Professor de 2010 descobriu.
A fila que se entendia pela calçada na Avenida José do Patrocínio, em frente ao StudioClio, já anunciava um evento lotado mais de uma hora antes do horário marcado para o começo da conversa. Yamandu Costa, o primeiro entrevistado de 2010, passava o som dentro do auditório enquanto na rua as pessoas continuavam a chegar.
No palco, um maduro Yamandu, que acaba de completar 30 anos, fez revelações engraçadas de sua já longa carreira. Acompanhado da plateia pela mãe, Clari Marcon, pela esposa, Elodie Bouny, e pelo grande amigo Luiz Carlos Borges, o passo-fundense lembrou um dos momentos que considera mágico: a gravação do primeiro CD (em 2000) com o mestre Lucio Yanel.
"O Lucio Yanel é um sonho. Eu não lembro quando o conheci, mas me lembro do cheiro dele, aquele cheiro do violão. Ele foi a minha inspiração quando eu aprendi a tocar violão. Meu sonho era transmitir aquilo que ele tocava. Foi uma das convivências mais maravilhosas da minha vida".
Ainda sobre esta relação, Yamandu fez o público gargalhar ao contar uma história da dupla. "Meu pai tinha um monte de livros em casa e nós – eu e o Lucio – estávamos sem dinheiro. Pegamos um saco, enchemos de livros e fomos para Rua da Praia vender. Vendemos livros por duas horas. Depois pegamos o dinheiro e fizemos uma churrascada!".
Além do carinho por Yanel, Yamandu também declarou-se duplamente apaixonado: pela esposa, a violonista francesa Elodie, e pelo instrumento que toca. "O violão é a muleta da poesia, do mundo. É o instrumento que se sente no peito toda vez que se toca. Eu fico cada vez mais dependente". Para a esposa, Yamandu não poupou elogios: "Me apaixonei por ela porque ela é muito linda. Nós nos conhecemos numa ‘guitarrada", em Paris. O amigo que nos apresentou disse que éramos como dois fios desencapados, que ia dar choque."
Para encerrar o evento, após perguntas e depoimentos emocionantes do público, Yamandu fez o que mais gosta: música.
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